Meu nome é Dan Guinsburg.
Nascido em Taubaté, 19 de janeiro de 1958.

FAMÍLIA
O nome do meu pai era Israel Guinsburg, mas era conhecido aqui na cidade como Juca. E a minha mãe chamava-se Ella Guinsburg.
Meu pai, nascido em 16 de janeiro de 1928, nascido em Taubaté. Minha mãe era polonesa, nasceu em 14 de setembro de 1932.
Os dois já estão falecidos.
Eu conheci meus dois avós. O pai da minha mãe chamava-se Emanuel Gricksmann e a minha avó, eu não conheci. Ela morreu na Polônia, na Segunda Guerra Mundial. Foi na época lá do nazismo. Chamava-se Eva Gricksmann. E o meu avô [paterno] chamava-se José Guinsburg, que eu cheguei a conhecê-lo. E a minha avó chamava-se Berta Guinsburg, que morreu antes de eu nascer.
Minha mãe tem uma história que dá um livro: os meus avós eram muito ricos e conseguiram comprar a liberdade, ficaram escondidos durante a guerra inteira em um porão de uma casa. A minha mãe passou-se por católica, por cristã. Ficaram mudando de locais, e tal. A minha avó não acreditou, foi pega, foi morta. Ela tentou fugir, foi fuzilada quando tentou fugir de um caminhão, quando estava sendo levada lá para um campo de concentração. E se salvaram meu avô e minha mãe. De lá, terminou a guerra eles vieram para a França. Ficaram em Paris um ano, vendo como é que iam... Tentaram ir para os Estados Unidos - todo mundo tentava ir para os Estados Unidos - , não conseguiram. Ele descobriu que ele tinha um parente aqui no Rio de Janeiro e veio para o Brasil. E aí, por coincidências da vida, ele resolveu abrir um curtume em Taubaté. Tinha algumas pessoas aqui da..., alguns russos, ou gente da Polônia na época, 1947, 48. Aí minha mãe veio para cá, conheceu o meu pai e casaram-se..
O meu pai já nasceu aqui. Meu avô e minha avó vieram da... Meu avô era romeno e minha avó era russa. E vieram para cá depois da Primeira Guerra. Se encontraram aqui no Brasil e se casaram aqui. Mas eles não se conheciam.
Meu avô desceu... Chegou em um navio no Rio de Janeiro. Depois acabou vindo para São Paulo, também - parece que tinha algum conhecido, sempre tinha algum parente, algum conhecido. Veio, acabou vindo para Taubaté, a minha avó já estava aqui. Aí se casaram, tiveram quatro filhos, e dentre eles o segundo foi o Juca.
Nós estamos falando em 1900. O meu pai é de 28, eles [os avós] casaram em 26, chegaram aqui em 25, 24.

IMIGRAÇÃO
Tinha comunidade judaica em Taubaté. E era maior do que hoje. As pessoas vinham, acabavam ficando aqui na cidade. Era mais unido. O pessoal era unido porque não falavam a língua [portuguesa], falavam ou o iídiche ou o russo. No caso da minha mãe, o polonês. Eles iam para São Paulo, compravam roupa, tinham crédito lá na cidade. Vinham para cá, vendiam, é o que a minha avó fazia. Minha avó e meu avô.
Meu avô era mais malandro. Quem gostava muito de trabalhar era a minha avó. A mãe do meu pai, a dona Berta. E meu pai ajudava. Meu pai, com dez anos ele punha uma mala nas costas e ia com ela trabalhar. Vender de porta em porta. Russo da prestação, famoso.
Eles vendiam mais em Taubaté. Naquela época, o transporte era muito difícil, não era uma coisa muito simples: para ir para São Paulo só tinha o trem que demorava, sei lá, quatro horas para chegar a São Paulo. Então quando ia para São Paulo buscar mercadoria era uma coisa difícil. E como vendiam a prestação... Ele tinha uma bicicleta, que ele ia cobrar depois dos clientes, então acabavam vendendo mais em Taubaté. Eu não saberia dizer, mas acho que não vendiam fora da cidade.

 
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